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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Marx, um Saduceu

Trechos de LA AGONÍA DEL CRISTIANISMO 

Miguel de Unamuno*

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La inmortalidad del alma es algo espiritual, algo social. El que se hace un alma, el que deja una obra, vive en ella y con ella en los demás hombres, en la humanidad, tanto cuanto ésta viva. Es viver en la historia.

Y, sin embargo, el pueblo de los fariseos donde nació la fe en la resurreción de la carne, esperaba la vida social, la vida histórica, la vida del pueblo. Como que la verdadera deidad de los judíos no es Jehová, sino es el pueblo mismo judío. Para los judíos saduceos racionalistas, el Mesías es el pueblo mismo judío, el pueblo escogido. Y creen en su inmortalidad. De onde la preocupación judaica de propagarse físicamente, de  tener muchos hijos, de llenar la tierra con ellos; su preocupación por el patriarcado.

Y su preocupación por la prole. Y de aquí que un judío, Carlos Marx, haya pretendidohacer la filosofía del proletariado y haya especulado sobre la ley de Malthus, un pastor protestante. Los judíos saduceos, materialistas, buscan la resurrección de la carne en los hijos. Y en el dinero, claro... (...).

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Habría que distinguir, ante todo, entre la realidad y la personalidad del sujeto histórico. Realidad deriva de res (cosa) y personalidad de persona. El judío saduceo Carlos Marx creía que son las cosas las que hacen y llevan a los hombres, y de aquí su concepción materialista de la historia, su materialismo histórico - que podríamos llamar realismo -; pero los que queremos creer que son los hombres, que son las personas, los que hacen y llevan a las cosas, alimentamos, con duda y en agonía, la fe en la concepción histórica de la historia, en la concepción personalista o espiritualista.

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(...) La historia, por otra parte, es realidad, tanto o más que la naturaleza. La persona es cosa, porque cosa deriva de causa. Yhasta narrando historia se hace historia. Las doctrinas de Carlos Marx, el judío saduceo que creía que las cosas hacen a los hombres, ha producido cosas. Entre otras, la actual revolución rusa. Por lo cual anduvo mucho más cerca da realidad histórica Lenin, cuando al decirle de algo que reñía con la realidad replica: "Tanto peor para la realidad!" Si bien tomó esto de Hegel.

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A todo esto nos dicen que desaparecerán juntos el cristianismo y la civilación occidental o grecorromana y que vendrá por el camino de Rusia y del bolchevismo otra civilización o, como quiera llamársela, una civilización asiática, oriental, de raíces budistas, una civilización comunista. Porque el cristianismo es el individualismo radical. Y, sin embargo, el verdadero padre del sentimiento nihilista ruso es Dostoyevski, un cristiano desesperado, un cristiano en agonía.

Mas aquí tropezamos con que no hay conceptos más contradictorios en sí mismos, que más se presten a aplicaciones contradictorias, que los conceptos de individualismo y comunismo, así como los de anarquismo y socialismo. Es absolutamente imposible poner nada en claro con ellos. Y los que con esos conceptos creen ver claro son espíritus oscuros. Qué no haría la terrible dialéctica agonica de San Pablo con esos conceptos!

Como la individualidad es lo más universal, así no cabe entenderse en este terreno.

Los anarquistas, si quieren viver, tienen que fundar un Estado. Y los comunistas tienen que apoyarse en la libertad individual.

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Y muchos creen que nace una nueva religióm, una religión de origen judaico y a la vez tártaro: el bolchevismo. Una religión cuyos dos profetas son Carlos Marx y Dostoyevsky. (...).

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UNAMUNO, Miguel. La Agonía del Cristianismo. Madrid: Alianza Editorial, 1996. Transcrito das páginas 40, 41, 44, 45, 79, 80, 109 e 110. O título da Postagem é nosso, porém, inspirado no Texto.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Caráter Profético do Marxismo

Heraldo Barbuy*

Faremos neste ensaio a exposição e a crítica sumárias de alguns tópicos essenciais do marxismo. O marxismo é um conjunto de proposições de natureza histórica, sociológica e econômica; essas proposições formam um sistema filosófico, voltado para a ação revolucionária. Dentre as afirmações do marxismo, algumas são totalmnte inverificáveis; outras, puderam ser confrontadas com a experiência e foram pela experiência refutadas. Mas ao marxismo, tanto as proposições inverificávis, quanto as que foram refutadas pela prática, funcionam como um sistema religioso. As críticas racionais e a contestação do marxismo pelos fatos, têm sido completamente inúteis em face da eficiência que o sistema tira do seu caráter religioso.

Não se dá com o marxismo o que se dá com os sistemas científicos, que perderam a vigência desde que não mais coincidiram com a realidade: os grandes credos coletivosd não vivem pela fôrça de suas supostas verdades ou erros científicos, e sim pela fé que despertam. O marxismo é uma religião modernizada, isto é, que se apresenta como científica, - e seu principal autor é uma espécie de profeta bíblico, que retoma certos temas do Antigo e do Nôvo Testamento: tem suas noções próprias da catástrofe purificadora, do Juízo Final e da Redenção da Humanidade. É uma religião que, ao contrário das demais (que se fundam em elementos divisnos e transcendentes), está centrada exclusivamente no Homem e cuja finalidade é a ação revolucionária redentora. Sua mensagem consiste em pregar a revolução total, que deve expurgar o mundo de tôdas as alienações que o infelicitam. Para tanto, êste nôvo credo deve fornecer ao adepto e ao iniciado um método seguro de ação, apoiado numa visão "científica" da natureza, da história e da sociedade.

O marxismo está ligado particularmente ao sistema das idéias de Hegel, não só pelo seu método, - que é a dialética da contradição -, - como também pelas suas teses principais; por exemplo, sem a Lógica e a Fenomenologia do Espírito de Hegel, as teses de Feuerbach, de Marx e de Engels, que vieram a constituir o corpo da filosofia marxista, não teriam sido possíveis. O marxismo nasceu como pequena ramificação da esquerda hegeliana. Mas tem suas relações também com os românticos e coma Escola Histórica.

Apesar de serem antípodas, os marxistas de um lado, e de outro os românticos e a Escola Histórica, nem por isso o marxismo deixou de se beneficiar de algumas teses românticas: recebeu, por exemplo, da Escola Histórica, as críticas que esta última dirigiu ao capitalismo, ao individualismo, e a tôda ordem burguesa consagrada pelos economistas clássicos; Marx é contribuinte involuntário do romantismo, pelo ódio que vota à ordem social que estabeleceu o burguês e o proletário e converteu o mundo num mercado dominado pelo dinheiro. O marxismo está ligado também à literatura política anglo-francesa do século XVIII e do comêço do século XIX, que inventou as utopias do pregresso indefinido da espécie humana, e descreveu a rósea felicidade a que êsse progresso devia conduzir a humanidade futura. O marxismo, porém, tira do método de Hegel uma originalidade que lhe permite não se confundir pura e simplesmente com as demais correntes suas congêneres, apesar do seu íntimo parentesco com os materialismos dos séculos XVIII e XIX, a que se dão os nomes de positivismo, naturalismo científico, cientificismo, fisicismo, biologismo, mecanicismo, etc.

O marxismo se distingue em parte de tôdas essas correntes por fôrça de sua procedência hegeliana. Além disso, não trata separadamente a economia, a história e asociologia, senão que as conjuga e as subordina à sua visão do conjunto. Para Marx não teria cabimento considerar no homem o econômico, o histórico ou o sociológico, fora duma perspectiva totalizante. (Graças a êste método, que era o da Escola Histórica e o de todos os grandes sistemas alemães, devemos o não ter-se a história tornado uma simples enumeração cronológica de fatps; não ter a economia sobrevivido como formulário de leis "racionais", desligadas do espaço e do tempo; não ter a sociologia degenerado inteiramente na coleta dos fatos amorfos e das monografias sociográficas, que nada significam fora da visão global que lhes dá conteúdo e forma.) Ao marxismo devemos por isso largamente a manutenção das relações que unem a história e a sociologia. Devemos também, em parte, a formação do método sociológico chamado "tipologia gloval", ou seja, a sociologia compreendida como ciência dos grandes sistemas sociais. Max Weber, fundador principal da tipologia sociológica, não procede só da Escola Histórica, mas também do marxismo.

Pelas mesmas razões, o materialismo de Marx é sui generis; pretende estar em oposição ao idealismo, porém atribui à matéria o princípio dinâmico do movimento dialético, que os idealistas punham no Espírito Absoluto, ou na Idéia Absoluta. è uma derivação do empirismo e do sensualismo, dos quais tira suas afirmações materialistas; reveste porém essas afirmações das categorias da espeiência filosófica alemã. A matéria, para Marx e Engels, não é o que os fisicistas da época consideravam como tal, e sim o conjunto das relações do homem com a natureza e a sociedade; é a totalidade das sensações que formam um jôgo ativo - dialético - entre os diversos ingredientes da sociedade e entre esta e a natureza: para o marxismo, tudo é resultado da experiência sensível, desde os primeiros movimentos físicos do homem até os graus mais elevados da sua consciência, de sua religião e de sua filosofia. Como para todos os sensualistas, também para Marx não há nada mais do que o reino da experiência sensível. (Como se soubessem o que é o corpo, o que são os sentidos e o que é a natureza, os marxistas nos ensinam que tudo não passa dum jôgo dialético de sensações entre o homem e a natureza).

Dialético, materialista e ateu, o marxismo consegue ser uma construção unitária, da qual dizia o comunista Karl Kautsky, que tinha assimilado a experiência econômica inglêsa, a experiência política francesa e a experiência filosófica alemã. De fato, graças à fusão dêsses três elementos e ao seu caráter profético, o marxismo quer ser uma filosofia total do mundo; quer ser a palavra dialética da verdade, o método infalível, e a mensagem suprema da libertação do homem. Marx denuncia tôdas as filosofias anteriores, como alienações e mistificações, inclusive as filosofias materialistas que o precederam; denuncia tôdas as religiões, todos os Estados, as instituições jurídicas, os regimes sociais e econômicos como testemunhos da alienação, da mistificação e da infelicidade do homem. O marxismo se propõe a salvar o homem dilacerado por todo o processo histórico.

Em vários tópicos de sua obra O Capital, Marx enunciou a teoria da última grande catástrofe da histórica, que há de encerrar a história, e que é a catástrofe do capitalismo (por exemplo, no Vol. III, págs. 203 1 205, e em outros tópicos; tradução francesa de Roy, Éd. Sociales, 1950). Quem quer que leia essa poderosa obra, há de encontrar, depois de longos capítulos eruditíssimos e áridos, momentos duma eloqüência e duma grandeza que lembram os profetas bíblicos. Segundo Marx, o capitalismo, que levou a luta de classes ao ponto extremo, desenvolve suas contradições internas até o amadurecimento final do regime burguês, quando então o processo se resolverá na vitória fatal do proletariado e na aparição da sociedade sem classes. Esta profecia está fundad no materialismo histórico, invoca para si um fundamento científico: nasce ùnicamente do exame das leis, ou supostas leis internas do capitalismo, e das suas contradições. O Manifesto Comunista esclarece que, as mesmas armas de que a burguesia se serviu para abater o sistema feudal se voltam agora contra a burguesia. A burguesia, segundo o Manifesto, não se contentou com forjar apenas as armas que a liqüidarão; produziu também os homens que se servirão dessas armas, os operários modernos, os proletários: e o irônico é que a burguesia, justamente por ter criado um contexto social, de que o proletariado é parte integrante, se apresenta, contra si mesma, como classe revolucionária por excelência; depois do fim da burguesia não pode haver outro regime senão o comunismo. A burguesia, segundo Marx e Engels, teve grande mérito de facilitar a revolução internacional, porque é uma classe cosmopolita, que engendra, como contradição interna, um proletariado, também cosmopolita. Burguesia e proletariado, em suma, são classes anti-nacionais; hostis uma à outra, fazem parte do mesmo processo. O processo se põe como afirmação (burguesia) e como negação (proletariado), porque, como ensinava Hegel, cuja Fenomenologia do Espírito Marx transpõe para o materialismo histórico, a realidade do senhor é o escravo, e a realidade do escravo é o senhor. - Dialèticamente, a burguesia gerou o proletariado que a destruirá; mas êsse proletariado, se bem inter´retamos Marx, não é uma simples antíteses da burguesia; sua originalidade, segundo Marx, e o motivo pelo qual essa classe é vista como portadora da revolução total está no seguinte: enquanto nas épocas anteriores as classes dominantes se sucediam no poder, cada qual procurava imprimir à sociedade inteira os seus caracteres próprios, sua visão do mundo, seu estilo de existência. O que era de interêsse da classe dominante se punha nas ideologias como lei eterna, como ordem natural, como princípio divino: foi assim que os economistas clássicos tomaram a ordem burguesa como a ordem definitiva, a mlehor das ordens possíveis; o estilo burguês de vida se tinha tornado algo definitivo, como em outros tempos o estilo aristocrático. Mas oproletariado tem de original, segundo o marxismo, não ser uma classe como as demais, que no passado lutaram pelo poder: não pode nem mesmo ser chamado propriamente de classe; êle não é nada, não tem nada; não tem modo de existência particular; é a negação de tudo quanto já foi categoria histórica, de tudo quanto já foi classe no sentido próprio do têrmo. É o anonimato absoluto, cujo caráter internacional tem como denominador comum se a massa dos oprimidos, dos miseráveis, dos que não têm, nem são nada. Sendo a negação de tudo, o proletariado não pode, como as antigas classes dominantes, querer impor um estilo de vida, que não possui. Por isso, o advento fatal do proletariado, previsto por Marx (fatal, porque dialèticamente inevitável), significará a destruição de tudo quanto existiu anteriormente, de todos os modelos de vida, de tôdas as formas de apropriação da riqueza, de tôdas as garantias de xistência individual. É o estabelecimento, dentro de certo prazo, do coletivismo absoluto. Sendo o proletariado a classe mais baixa das sociedades atuais (está quase ao nível do subterrâneo social chamado Lumpenproletariat), quando êle se levantar, não poderá deixar de abater tudo quanto está acima de si. E, segundo a dialética marxista, não depende da vontade de ninguém impedir essa revolução total: porque a contradição burguesia versus proletariado há de chegar a um ponto em que o capitalismo não poderá sequer manter o proletariado como classe oprimida; em todos os tempos passados, ensinam Marx e Engels, os senhores mantiveram os escravos, pelo menos ao nível da subsistência. Mas o capitalismo tem tais leis internas de acumulação e concentração do capital (longamente estudadas por Marx no fim da L. 1º d'O Capital), que farão com que o proletariado desça cada vez mais na escala social; segundo o Manifesto, a pauperização gradual tornará completamente impossível a subsistência do proletariado no regime capitalista de produção; e nesse dia, a revolução se derá por si mesma.

Acabamos de resumir a profecia segundo a qual o marxismo decreta o fim do regime capitalista: esta profecia decorre, para Marx, duma Lei inexorável, uma lei histórica; ela se realizará de qualquer modo, em função do movimento dialético. Marx e Engels são profetas complexos: concitam o proletariado internacional à luta contra a burguesia e mostram, ao mesmo tempo, que a vitória do proletariado sôbre a burguesia é tão certa e tão necessária quanto necessária e certa foi a vitória da burguesia sôbre a ordem feudal. Não se trata, no marxismo, duma reedição dos profetas dp socialismo sentimental que andavam a procurar idealmente qual seria a melhor forma de sociedade possível; de que modo se poderia estabelecer a harmonia social; como se faria com que o patrão e o operário se entendessem; como abolir a propriedade privada ou tornar proprietários todos os cidadãos, etc. Marx, com o senso crítico dos discípulos de Hegel, ridicularizou todos os socialismos anteriores como formas de frustração e alienação; são socialismos nos quais a classe operária não tomou ainda consciência de sua própria real; representam um momento histórico em que a consciência proletária não está ainda madura; êste momento engendra teorias ridículas, segundo o marxismo, de acôrdo com as quais o problema não seria um problema histórico, e sim uma questão de organizar a sociedade dêste ou daquele modo: mesmo Proudhon, com seu livro Qu'est-ce que la propriété?, no qual responde que a propriedade é um roubo, la proprieté est un vol, foi completamente desmoralizado por Marx. E por quê? Porque, no marxismo, não se trata de pensar ou imaginar a melhor ordem social possível, e sim de descobrir as leis internas, imanentes, do movimento histórico, denunciar suas contradições e descobrir o que fatalmente se dará. Graças a este método dialético, que descobre as leis internas do movimento histórico, Marxs, Engels e os marxistas puderam limpar o caminho de todas os demais socialismo e materialismos, e apresentar o seu próprio socialismo cmo "socialismo científico". O fim da burguesia e a catástrofe do capitalismo podiam ser deduzidos já da Fenomenologia do Espírito de Hegel, onde se encontra a famosa passagem dialética do Senhor e do Escravo: há um momento, em Hegel, em que o Senhor se torna o escravo do Escravo, e o Escravo se torna o senhor do Senhor: ambos fazme parte de um só contexto, no qual cada Têrmo se torna o seu contrário. Só que o proletário, para Marx, não é mais o simples Escravo que se tornará o senhor do Senhor; é algo mais: é a inovação absoltuta, a reconciliação definitiva, o portador messiânico da salvação. Assim, no marxismo, todo o processo histórico terminará com a vitória do proletariado.

BARBUY, Heraldo. Marxismo e Religião. São Paulo: Dominus, 1963. Transcrito das páginas 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11. Foi conservada a grafia do original.

* Filósofo. Autor do importantíssimo "O Problema do Ser e Outros Ensaios".

sexta-feira, 2 de maio de 2008

La Economía. El materialismo histórico

H. Rickert

Los conceptos universales ocupan el lugar más considerable en aquellas ciencias culturales, que tienen por objeto la vida económica. Pues, en la medida en que esos movimientos económicos puedan en peral aislarse, habrá de tenerse muchas veces en cuenta realmente sólo las masas, y lo esencial para esa ciencia cultural coincidirá casi siempre con lo contenido de un concepto relativamente universal. Así, por ejemplo, la definición histórica del aldeano o del fabricante, en determinado pueblo y determinada época, representará con bastante exactitud lo común a todos los ejemplares aislados y constituirá, por lo tanto, su concepto naturalista. En este caso cabe, pues, que lo puramente individual retroceda a segundo plano y que la fijación de las relaciones universales de carácter conceptual ocupe el mayor espacio1. Todo esto, además, nos ayuda a comprender por qué el afán de hacer de la ciencia de la historia una ciencia natural generalizadota va unido tantas veces a la afirmación de que toda historia es en el fondo historia de la economía.

Pero al propio tiempo adviértese ahora con la mayor claridad cuán injustificados son esos ensayos de tratar la historia exclusivamente como historia de la economía y luego como ciencia natural. Descansan, en efecto, como fácilmente puede verse, en cierto principio de separación de lo esencial y lo inesencial, y la elección de ese principio es enteramente caprichosa; es más: su adopción se debe originariamente a una posición política partidista, que no tiene nada de científico. Puede ello ya percibirse en Condorcet; y la llamada concepción materialista de la historia, que constituye el extremo máximo de toda la dirección, es un ejemplo clásico. Pende en gran parte de anhelos específicamente socialistas. Siendo democrático el ideal cultural director, existe la tendencia a considerar aun en pasado las grandes personalidades como “inesenciales” y a no dar valor sino a lo que procede de la multitud. Por eso la narración histórica se hace “colectivista”. Desde el punto de vista del proletariado – o desde el punto de vista que los teóricos consideran como el de la masa – entran en cuestión principalmente los valores más cercanos a la animalidad; por consiguiente, lo “esencial” es sólo aquello que se halla en relación directa con esos valores, esto es, la vida económica. Por eso la historia se torna “materialista”. Pero ésta no es ya una ciencia histórica empírica, avalorativa, sino una filosofía de la historia, constructiva, hecha con violencia y falta de crítica. Más aún: esos valores absolutamente puestos, son aquí tan decisivos que lo que para ellos es significativo se ha tornado en el único verdadero ser, y todo lo demás, que no es cultura económica, queda transformado en mero “reflejo”. Nace de aquí una concepción completamente metafísica, que ostenta, en sentido formal, la estructura del idealismo platónico o realismo de los conceptos. Los valores llegan a ser hipostasiados como verdadera y única realidad. Con esta diferencia tan sólo: que en lugar de los ideales de la cabeza y del corazón hanse colocado los ideales del estómago. Llega incluso el “ideólogo” Lassalle a recomendar a los obreros que conciban su derecho electoral como una cuestión de estómago, y que, al modo como el calor del estómago se expande por el cuerpo, lo expandan asimismo por todo el cuerpo nacional, porque entonces no habrá fuerza alguna capaz de resistirlos2. Nadie debe asombrarse si desde este punto de vista aparece, en último término, la evolución de toda la humanidad como una “lucha por el mejor pesebres”.

Si se ha comprendido bien el punto de vista valorativo sobre que descansa “el materialismo histórico” se verá lo que resta de la objetividad de semejante manera de escribir la historia. Es ella más bien un producto de la política partidista que de la ciencia. No he de negar que anteriormente la vida económica era acaso harto poco atendida por los historiadores, y como consideración complementaria tiene, sin duda, su valor la historia de la economía. Pero el intento de referirlo todo a ella sola, como lo único esencial, debe contarse entre las más caprichosas construcciones históricas que se han ensayado hasta hoy.

Rickert, Heinrich – Ciencia Cultural y Ciencia Natural – Traducción del alemán por Manuel G. Morente – Prólogo de José Ortiga y Gasset – Madri – Calpe – s/data – (8) + 151 págs. Biblioteca de Ideas del Siglo XX – Vol. I; transcrição de parte do Capítulo XI, Los territórios intermédios, págs. 117, 118 e 119.



1 Puesto que repetidas veces, y apoyándose en mis investigaciones metodológicas, se ha discutido la cuestión de si la economía nacional es una ciencia histórica individualizadota o una ciencia generalizadota, he de advertir expresamente que no puedo proponerme tomar actitud respecto de esa cuestión. Debe quedar reservada a la decisión de los especialistas. Desde puntos de vista lógicos, tan legítima es una posición generalizadota de la vida económica como una exposición individualizadota. Lo que hay que rechazar es solamente la opinión de que la economía no puede proceder sino exclusivamente por generalización. Sería una malísima metodología la que no diera ancho campo a todas las diferentes direcciones de la investigación particular.

2 Respuesta pública al Comité central para la reunión en Leipzig de un Congreso general de los trabajadores alemanes, 1863. Pensaba yo en la citada frase de Lassalle cuando en la primera edición de esto libro empleé el término: “ideales del estómago”. Tönnies pudo muy bien sospecharlo, y, en todo caso, no debió escribir que no comprendía “de qué sentina ha sacado Rickert esa su exposición personalísima de la concepción materialista de la historia”. (Archivos de Filosofía Sistemática, tomo VII, página 38.) Si más tarde Tönnies ha explicado “el acento crepitante” de sus palabras diciendo que se sintió “personalmente irritado por el tono despreciativo”(loc. cit., pág. 408), es ello una prueba más de que ciertas concepciones naturalistas de la historia más bien son “convicciones” personales, defendidas con pasión, que no pacíficas fundamentaciones científicas. Las frases que yo empleo non son, en absoluto, despreciativas: se esfuerzan simplemente por fijar el hecho de que “el materialismo histórico”, como toda filosofía de la historia, descansa en la posición de ciertos valores y que su burla del idealismo no procede de que elimine los “ideales” en general, sino de que substituye unos ideales viejos por otros nuevos. Mas Tönnies no se ha preocupado, desgraciadamente, de refutar esto. No quiero negar que haya muchos que se han arrojado en brazos de una concepción naturalista de la historia movidos, según la antigua usanza, por ideales de la cabeza e del corazón. Pero ello no hace sino elevar a esos pensadores como hombres, no como científicos, pues ello es una consecuencia y una recaída en la “ideología”.